quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Contemplando pingos de felicidade que iluminam um certo dia. Sem mais, sem gás, em uma serena paz. Por alguma razão adormeci assim, e acordei livre.
Livre de vontades, livre do tempo, livre até dos meus desejos ocultos.

Pois bem, eles vão retornar, eu sei. Mas também sei que é bom estar livre, e até lá, eu continuo ''livreando''.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Sem saber o que fazer nessa espera absurdamente gélida, amando o desconhecido só pelo prazer de amar. É assim que o mundo o colore, o pinta, tentando moldar o que nem ele mesmo conseguiu.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Movendo-se.

E quando nós caminhamos, sentimos a sombra que deixamos para trás.
Morbidamente vai chegando ao fim; distante de um livro vivo.

Aliviando razões imutáveis, como o medo de surgir para você. Eu sei que as águas correm, mansas por caminhos distintos, apenas na busca de um lugar onde valha a pena desaguar. É nessa correnteza que minha canoa ruma, e nem peixes parecem me seguir.
Por que se agarrar a feridas vivas? Se tem algo que posso lhe garantir, é que não é essa a forma da cicatrização. Também não a conheço em essência, mas conheço o que não é essência dela.

Ao lembrar da melancolia das palavras não ditas, recordar-se dos sorrisos bobos.
Imaginando felicidades ocultas e reluzentes para um futuro solitário.
Tendo um presente vivo, regado pela imensidão de sentimentos guardados pela chuva que virá.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Abajur.

Essa saudade que em ti se abriga, prova, reprova e veste a solidão. Olhos a observam sem que tua ausência note algo vivo, porém dormente sob o teu levar.
Que essa escuridão escondida por detrás do teu sorriso um dia se vá com todo o escuro que te causa medo, pois é você quem me faz escrever a luz do dia palavras de interpretações variáveis, que eu já não ligo se saberão tocar na sua radiola como fizeram um dia.

São essas lembranças carregadas de sentimentos que levaremos por onde andarmos, mesmo que o tempo caminhe lado a lado conosco, soletrando palavras de esquecimento. Existem outras tantas que não aprenderam a ler... ( para nossa sorte, talvez.)

Há de notar o tanto que faltou ser,
Há de sentir o pouco que desabrigou.

No momento em que olharmos para tudo aquilo de belo que havia, o mundo nos fará falta.
Aaah, ele deve ter conserto.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Girando estaticamente vivo.

Um lugar onde esperar fosse apenas girar,
Um céu onde clarear fosse aquecer.
Uma língua sem entendimento marcado,
E dúvidas irresistíveis.

Um canto de conforto no fim de tudo,
Desarrumando tristezas superadas.
Marcadas, calejadas, cantadas.

Um lugar de palavras doces,
De clima velho...

Atmosfera quase morta,
reluzente a tudo que não condiz.
Sem rastros, nem abraços
Assim, indo...

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Só, apenas, isto.

E no apagar das luzes é o teu rosto que resta. Ouvindo aquela velha canção que te traz a dura realidade da solidão; é o teu próprio rosto que queima. No calar da madrugada até o pingo da chuva que insiste em não cair; é o teu rosto que resta. No passar de todos os sentimentos cabíveis de emoção naqueles instantes, no final de todos, é você, teu próprio rosto, e só.

Sim, é sempre isso o que resta.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Naquele teu abrigo.

Olha como o tempo esculpe tuas pegadas sem chão. Aparentemente é só um modo de dizer ''seja feliz.'' sem se apegar as estações cheias de cores, amores, flores e dores.
Neste caminho incerto de busca por certezas permanentes, navegadoras de marés calmas, águas claras que banham e brindam o descanso, que aguardam o mergulho que antecede a renovação; Eu vou.
Hey, olha novamente para lá! Não perca o nosso ponto, pois ele ainda nos aguarda. Sei que nunca olhei para frente com essa tua sede de mover-se... Mas é que tenho luzes novas que também brilham lentamente a minha espera, e seria uma traição aos meus sentidos beber tanto assim.
Caso o sono ainda não tenha te levado, olha a forma que a chuva tem tomado. Pálida, linda, para combinar com o romantismo que dormiu no teu lugar essa noite. Que ele desperte ao ter contato com a leveza daquele antigo sorriso bobo de quem ama, de quem chora com lembranças vivas ainda, e ainda que vivas, viverás sem o ainda, porque ele também vive entregue ao que há de chegar.
Lembra-te que um sentimento antes de ser entendido, é apenas sentido. Sem fazer sentido ou ser lido nas entrelinhas das dúvidas que pairam sob o travesseiro frio e confortável de uma madrugada incoerente. Não me pergunte porque escrevo essas palavras de carinho a uma hora dessas da vida. É que ela escreve tanto de mim, que lendo nas lembranças eu escrevo. Que ouvindo na doçura eu canto; e caminhando em uma estrada parecida a do início desse besteirol, eu amo.