segunda-feira, 19 de julho de 2010

Morfina.

Bombas despencam sob nossas cabeças sem o despertar de nenhuma sirene para ao menos construirmos um abrigo no subsolo. É devastadora, surpreendente, triste...
E dói.

Tristeza momentânea, sem data marcada para ir embora.
E dói.

Dúvidas e mais dúvidas pairando no ar, e a certeza de que só resta esperar.
Esperar, esperar, esperar... Passar.
E isso dói.

Tornados pegando nossos planos e fazendo deles combustíveis para sua durabilidade. Ele só pode achar engraçado ver alguém reformulando tudo de novo, outra vez, e todas redundâncias que forem cabíveis aqui.

Mas castelos serão erguidos novamente, o reino ainda pode ser encantado, e as metáforas... Bom, essas vão continuar tradicionais, porque não vejo jeito; e elas não doem.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Closer.

Para onde corres?
Por onde se esconde?

Se perder no infinito por opção é mais leve quando não há tragédia.
O encontro não tem de ser marcado... Ele pode, mas não obriga-se a possuir firmeza alguma.

Eu fecho meus olhos e deixo a poesia percorrer pela escuridão. Sem sentido, rota, objetivo que me faça desejar seguir em frente ou recuar. Eu quero estar ali, e isso me enche agora. Perto daquilo que há guardado em mim, e talvez perto daquilo que procuro fora. Sentindo-me seguro na leveza da melodia.

Canta para mim? Mais do que nunca me sinto preparado para ouvir.


Não abra os teus olhos agora, ouça a canção comigo. Quero que ela te complete com cada detalhe que seu corpo possa captar.


Então; o que me diz? Pode ver o mesmo que eu?
Posso sentir uma nuvem me conduzindo até nós, e a melodia chegando ao fim. Ela deveria durar para sempre, eu sei.

Mas ela há de voltar; no fechar de um próximo olhar.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Clarear.

E a rosa que se entregara assim a todo pesar,
Achando que faria dele uma casa para morar;
Gaivota sutil chegara para mostrar,
Que ela por ser rosa, tinha o poder de azular.
Voar, respirar e amar, no ato de transformar.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Recomeço.

As mágoas do sofrer choram enquanto o dano ainda não foi consertado. O cansaço afastando a coragem de chegar para mais uma batalha...
Procurando conserto, salvação em tudo que possa ser sólido, mas não encontrando.

Se o começo já é difícil, um recomeço então...?
Ver sofrimento também dói. Difícil mesmo é saber como lidar. Saber medir cada centímetro de palavra, de olhar, de gesto. Às vezes o silêncio diz tudo que se faz necessário, até para os amantes clássicos das palavras.

A certeza de que o tempo não liga se o teu coração está aberto, ou se parte dele foi arrancado sem anestesia. Os relógios não perderão a carga, a areia da ampulheta não deixará de cair e nem os sinos deixarão de bater.

Pessoas tentarão te trazer de volta, mas algo lá dentro ainda te tornará refém de si mesmo. Caminhos diferentes, sentidos novos sem um limite encontrado. Só não se prenda aos possíveis erros; eles não ajudarão em nada.

Páginas serão viradas e ficarão adormecidas no silenciar do esquecimento. No passar de uma ventania, limpa, intensa, capaz de fechar os teus olhos sem que você perceba que não está vendo o mundo. Ou melhor, não está o vendo através deles!
Despreocupando-se das incertezas, das lembranças, dos medos. Acreditando sempre que para uma nova página ser escrita, uma outra precisa ser virada. Que a próxima não precisa ter uma continuação, ou sequer um sentido.

E quando as músicas voltarem a ser sentidas, quando alguém lhe tirar uma prévia de sorriso, quando o sentir voltar a ser libertador; se prepare para recomeçar. É assim que a vida é, e não podemos alterar sua essência.

...Como ela também não pode alterar a tua.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Outro oi de quem conhece o tchau.

Para onde caminhas agora? Destino, desejo, sorte.
Onde está o teu guia de felicidade?

Razões com um poder tamanho, ditando o ritmo e o sentido de tudo. Expectativas frustradas originando desculpas para o fortalecimento racional. A poesia perdida, esquecida, adormecida na falta de palavras sentidas. Feiúra cada vez mais presente no que antes era encanto, e as pessoas nem se dão conta disso.
Mãos e testas não mais beijadas pela falta de capricho, assim como palavras bonitas sendo substituídas pelo balançar da onda.

Então temos uma normalidade podre, de pessoas que não sabem me encantar. Mas por não possuírem mais o encanto próprio, belo, límpido.

No mundo real existem coisas mais importantes para serem encantadas, e elas provavelmente estão certas. O balanço da onda mergulha em quase todos. Pobres, felizes por fazerem parte dela.

Fiquemos então cada qual no teu mundo encantado, e sejamos felizes para sempre.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Eternamente passageiro.

O charme da eternidade é que ela se da de uma forma incontrolável. Às vezes o programado é apenas um momento de alegria e a surpresa é tudo que faltava para que ele fosse eternizado. É tão pessoal quanto os motivos que a mente e o corpo encontram para que carreguemos aquilo para o nosso eterno. Cada um do teu modo, cada um no teu viver...

Eu gosto de ser o responsável pelos meus momentos, mas fico feliz quando alguém consegue surpreender ao me entregar algo que mereça ser lembrado por um determinado tempo. Isso é tão mágico! Algo que me encanta naquele momento e eu nem sei ao certo por quanto tempo ele será eterno.

A eternidade tem tempo, e o passageiro nem sempre se perde.
Enquanto existir em ti, a idéia do eterno estará lá. Acampando, sentindo o respirar da natureza e sonhando em viver ali. Só enquanto puder viver...

Minhas duas reticências aqui postadas foram após a palavra ''viver''. Não foi de caso pensado, mesmo. Apenas notei na formatação do texto. Mas existe algo mais bonito que reticências após o ''viver''? A idéia de liberdade complementa a palavra que se conforta com sua companheira por perto.

Não conheço a fórmula da eternidade, e nem a quero por perto. Causa-me interesse imenso saber que cada ato, palavra, sentimento pode tornar um momento, ou se tornar eterno sem precisar de absolutamente nada marcado.

Quantos sorrisos entreguei ao vento sem destinatário?

Quantos entregues a mim foram postos ao mundo sem saber que teriam tanta importância?

O momentâneo se tornando eterno na entrega de um sorriso.

sábado, 10 de abril de 2010

Eu consigo ver.

Quando não mais precisar, sonhar, querer.
Quando a distância é a certeza do que realmente se distancia.
Quando ela comprova que nem sequer chegou perto de se tornar próximo.
Quando a tensão vai se tornando realidade e sonhos vão adormecendo mesmo durante o dia...

E um dia novo começa. Pensamentos novos nascem e te dão bom dia no abrir dos olhos. Como se precisassem marcar território, certificando-se de que os outros ficaram no ontem; e só voltarão se eles não forem capazes de satisfazer as necessidades do meu dia.

Só que o tempo os renova, independentemente de quão especiais eles são. Alguns duram menos do que o esperado, pois a corda era tão frágil...
É preciso mais que normalidades para que os meus tenham firmeza, ou para que eu sinta vontade e tenha coragem de passá-la a eles.


No teu desacelerar a razão voa.
Na tua indiferença os detalhes se perdem.

E eles fazem toda diferença para mim.